Construindo um vencedor!

 

Olá mamães!

bebeheroi
Domingo aqui no Bebê no Berço é dia de convidados! E hoje temos um amigo e colega de trabalho lá do hospital. Essa semana que passou tivemos um plantão juntos e após uma ótima conversa sobre o assunto, o convidei para escrever par ao blog. Espero que gostem tanto quanto eu gostei!!!

“Que carinho é bom e fundamental no desenvolvimento de uma criança, toda mãe sabe, mas o que muitas desconhecem, é o impacto que isso traz ao longo da vida da criança.”

Toda forma de estímulo que a criança recebe durante a infância irá moldar a sua percepção do que ela entende sobre o meio em que vive. Quanto maior a frequência de estímulos e a qualidade com que elas são dadas, irão futuramente favorecer a construção de suas próprias crenças. Importante dizer que este conceito é aplicável para qualquer tipo de estímulo, ou seja, se uma criança é constantemente exposta a um ambiente hostil, onde os pais não conseguem conferir atenção e carinho de forma adequada, se sofrem qualquer tipo de agressão, isto irá gerar crenças fortes ao seu respeito, o que culminará em padrões de comportamento, que poderão influenciar seu estado psicoemocional, como traços de ansiedade, déficit de atenção e depressão.

O nosso cérebro possui uma propriedade particular, chamada de plasticidade neural, que pode ser definida como a capacidade que o sistema nervoso tem de se modificar e assumir novas funções. O processo neuroplástico ocorre durante toda a vida, por exemplo, quando aprendemos novas aquisições, como aprender a falar, andar de bicicleta e saber utilizar uma ferramenta nova. Estamos constantemente fazendo novas conexões neurais e moldando nosso cérebro, no entanto, este processo é mais intenso, durante a infância, e no que diz respeito aos processos emocionais, sabe-se que em torno dos 12 anos de idade, é a idade onde a criança irá maturar essas informações do meio em que vive e começar a produzir suas próprias crenças. E é exatamente nesse ponto que precisamos dar maior atenção no que estamos fazendo, falando e até pensando sobre nossos filhos. A criança por ser dotada desta facilidade neuroplástica, podemos compará-la a uma grande antena, capaz de captar vários estímulos externos, com isso integrá-los e produzir memória emocional. Podem passar anos, até mesmo uma vida toda, sem que a pessoa não de conta, mas esta sendo movida por os fortes impactos emocionais que sofreu durante a infância. Compreender este processo é essencial para que todos os pais possam oferecer o que tem de melhor no processo de aprendizagem da criança, e utilizar recursos que aperfeiçoam a construção da identidade de cada criança.

Sabemos que os traumas emocionais são capazes de produzir padrões comportamentais que se manifestam ao longo da vida, e o contrário também é verdadeiro, estímulos de validação pessoal, comunicação verbal e não verbal, são vistos como “potencializadores positivos” no que diz respeito à fortificação da personalidade. Sabe-se que um indivíduo já nasce com um “programa neural” de como irá reagir em relação ao meio em que vive, uns nascem mais retraídos e tímidos, e outros mais curiosos e expansivos, porém o meio que o cerca, pode maximizar ou coibir esses traços, por isso toda a vivência que a criança experimenta se torna um fator primordial na construção comportamental.

Mas como auxiliar meu filho ?

A maioria dos pais e mães já auxilia neste processo, muitas vezes de forma inconsciente, quando eles estão dando carinho, ensinando alguma lição, mostrando atos nocivos, todas estas atitudes naturais irão moldar o cérebro da criança, e gerar os valores de certo e errado. Mas os pais podem usar outros recursos que potencializam estes sentimentos positivos. Um deles se chama Validação.

A validação é quando nós passamos a enaltecer características positivas com o objetivo de transferir afeto de toda e qualquer forma. Pode-se utilizar carinho através das mãos, acariciando a face da criança e sintonizar esse momento com um olhar fixo nela, a criança passa a se conectar mais com você, e entender que aquele é um momento de amor entre pais e filho, este é um exemplo da utilização de uma modalidade sensorial tátil e visual, mas pode oferecer fragrâncias que sejam estimulantes, colocar alguma música tranquilizante, entre outras.

Outra ferramenta poderosa é a Comunicação, seja ela verbal ou não verbal, dizer frases afirmativas, do tipo: “Você é muito amado, e merecedor de tudo que há de bom nessa vida.” Ao realizar estas afirmações ao longo do tempo, o sistema nervoso da criança passa a incorporar este estímulo e gerar um sentimento a respeito. Mais tarde este sentimento irá culminar em pensamentos, se estes pensamentos forem recorrentes irá produzir crenças,como no exemplo dado anteriormente de que ele é amado e que se sinta merecedor, além desse beneficio pessoal, a criança desenvolve um senso coletivo, pois ele passa a se sentir parte do todo que o cerca. A comunicação não verbal pode ser oferecida através de posturas físicas, por exemplo, os próprios pais elevarem os braços da criança para cima, no sentido do “V” de vitória e entoar mensagens do tipo: “Você é vitorioso!”, este é um grande recurso para integrar esse tipo de informação.

 

vencedor

COMUNICAÇÃO → SENTIMENTO  PENSAMENTO  CRENÇA  REALIDADE

Vale lembrar que a intensidade com que esses estímulos são conferidos, e a frequência que são dados irão ser determinantes na construção de muitos comportamentos, e os estímulos que geram alto impacto emocional são os que geram maior memória emocional, ou seja, o grito que você deu, pode ser um gatilho para o desenvolvimento de um comportamento repressivo e sintoma de baixa auto estima. Bem como, a afirmação que esta criança é amada e acolhida, pode culminar em um adulto mais confiante e empático.

Sendo assim saiba proporcionar o melhor que o seu filho possa aprender, sempre buscando o caminho do meio, dando amor e ao mesmo tempo dando espaço para que ele possa aflorar por si só esse sentimento poderoso. E não se esqueça de que muitas vezes você terá que dizer NÃO para algumas atitudes, e se você não tiver a capacidade de dizer “não”, seu “sim” não significa nada.

Alessandre de Carvalho Jr*

*Fisioterapeuta, especialista em Terapia Intensiva e Fisiologia Humana. Praticante de Kabbalah e meditação. Estuda astronomia, neurociências, plasticidade neural, aspectos da física e mecânica quântica aplicadas às leis do universo.

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6 comentários

  1. Olá galera muito esclarecedor a postagem do Alessandre…com uma abordagem simples pude perceber o quanto a gente age por instinto…
    Sou fruto de um lar muito amoroso e foi ótimo a identificação… Beijos à todos…

    Curtido por 1 pessoa

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