Relação Amamentação x Mamoplastia

Olá mamães, tudo bem?

Desde antes de engravidar do Murilo eu penso em colocar prótese de silicone após ter meus filhos, essa é a minha escolha. Mas, muitas mamães pensam em mamoplastia após o primeiro filho ou antes mesmo dele. Vejam abaixo uma revisão de alguns artigos científicos e o que eles dizem sobre a relação da cirurgia com a amamentação, e conversem bastante com o médico sobre a técnica a ser utilizada por ele e o que você mamãe espera do resultado estético mas também do ponto de vista funcional da mama.

Espero que gostem.

Os benefícios do aleitamento materno são inúmeras, tanto para a mãe como para o bebê. Trata-se do alimento ideal, que favorece o crescimento e o desenvolvimento de lactentes, conferindo proteção contra doenças durante a infância e a idade adulta e diminuindo a mortalidade infantil.

A prática da amamentação salva a vida de milhões de crianças em todo o mundo, prevenindo diarreia e infecções respiratórias agudas, protegendo contra:

– a morte súbita do lactente,

– o diabetes insulinodependente,

– a doença de Crohn,

– a colite ulcerativa,

– doenças alérgicas e crônicas do sistema digestivo, entre outras.

A amamentação protege a mãe contra o câncer de mama e de ovário, propicia maior rapidez na involução uterina diminuindo o risco de sangramento pós-parto e de anemia, e reduz o gasto mensal com a compra de leite.

A amamentação é um processo complexo que envolve não só os aspectos fisiológicos, mas também os de ordem psicossociocultural. Do ponto de vista fisiológico, para que a mulher consiga produzir leite em quantidade adequada para suprir as necessidades de seu filho, é preciso que tenha uma estrutura mamária (alvéolos, ductos e ampolas lactíferas) íntegra, que permita um estímulo à produção e sua consequente excreção.(2)

A Organização Mundial de Saúde e a política nacional de saúde recomendam amamentação exclusiva por seis meses e, a partir desta idade, a continuidade da amamentação até pelo menos dois anos, porém com suplementação alimentar.

Apesar das vantagens do aleitamento materno serem amplamente divulgadas, na atualidade sabemos que a amamentação sofre influências socioculturais (conhecimento técnico, crenças, apoio)

As principais causas de desmame precoce são (1):

– o uso de chupeta,

– hospitalização da criança,

– influência paterna (incentivo e apoio à mãe),

– condição de vida precária,

– menor escolaridade materna,

– sintomas depressivos da mãe,

– o fato de a mãe considerar seu leite fraco e intercorrências mamárias (fissuras, ingurgitamento, dor e mastite).

O “abandono” da amamentação pode ser influenciado também pelo preconceito de que esta possa interferir na estética mamária, principalmente quando a mulher já realizou, por exemplo, uma cirurgia de aumento das mamas.

Por outro lado, a mamoplastia não é apenas indicada por razões estéticas, há também o lado da necessidade da cirurgia para a recuperação da autoestima, principalmente quando se trata de reconstrução mamária após ressecção de câncer de mama.

Como consequência, a integridade da estrutura mamária necessária à produção de leite pode ser alterada, em razão da técnica cirúrgica da mamoplastia aplicada, ocasionando dificuldades ou mesmo impedindo a amamentação.

Tanto a cirurgia de redução quanto a de aumento de mama resultam em período menor de aleitamento materno, se comparado com mães que não fizeram a cirurgia.

A valorização da imagem corporal preconizada nos dias atuais, associada à maior facilidade de acesso aos procedimentos cirúrgicos estéticos, tem repercutido em aumento do número de cirurgias estéticas, entre elas, a mamoplastia.

Estudos têm sido publicados comparando grupos submetidos à cirurgia de redução e aumento das mamas com grupos sem cirurgia e o padrão da amamentação, porém, poucos avaliam as interferências da cirurgia no aleitamento materno sob a ótica da puérpera. (2,3)

As cirurgias plásticas mamárias, dependendo da técnica cirúrgica utilizada, alteram essa condição de integridade e funcionamento, dificultando ou mesmo impedindo a amamentação.

Esta é uma questão importante, pois em muitos países e, sobretudo, no Brasil é cada vez maior o número de mulheres que se submetem a esse procedimento.

O estudo de Andrade et al.(2) avaliou 74 mulheres que haviam realizado mamoplastia redutora, colocação de prótese de silicone, e mulheres que não realizaram nenhuma cirurgia mamária no período pós parto, a partir de 48 até 72 horas após o parto; As segunda e terceira realizadas no domicílio, entre o quinto e o sétimo dia e em torno de 30 dias após o parto, respectivamente.

No primeiro mês, o aleitamento materno exclusivo foi estatisticamente diferente entre os grupos avaliados. O grupo sem cirurgia apresentou frequência de aleitamento exclusivo maior do que o observado nos grupos com cirurgia redutora e implante.

A probabilidade de uma criança estar em aleitamento exclusivo no final do primeiro mês de vida foi de 29% no grupo com cirurgia redutora, 54% no grupo implante e 80% no grupo sem cirurgia.

A probabilidade de o aleitamento misto (complemento) estar presente ao final do primeiro mês foi de 68% no grupo redução, 32% no grupo implante e de apenas 16% no grupo sem cirurgia; mais uma vez, foi observada diferença significativa entre os grupos.

Na avaliação realizada, entre 48 a 72 horas após o parto, todas as mulheres do estudo estavam amamentando. No entanto, as que ao final da primeira semana após o parto, até por volta de 30 dias, a amamentação exclusiva entre as mulheres com cirurgia redutora e de implante foi significantemente menor quando comparada às mulheres sem cirurgia.

Observou-se ainda que o impacto da redutora foi bem maior do que o da cirurgia de implante, representando o dobro de risco para aleitamento não exclusivo.

A diferença encontrada entre os grupos pode ser decorrente da diminuição da capacidade de produção de leite pela mama com redução ou que sofreu implante. No caso da redução, a dificuldade de manter a produção é mais significativa porque, além da retirada de parênquima mamário, ocorre lesão de vasos e nervos com a perda da sensibilidade mamilo-areolar.

Na cirurgia de implante, embora alguns estudos afirmem que esta não interfere na lactação, outros fazem referência à lactação insuficiente e baixa produção láctea, diretamente relacionada à incisão periareolar e à compressão do tecido glandular, decorrente do volume implantado e da colocação da prótese sob a glândula.

As glândulas mamárias têm abundante suprimento vascular e são inervadas por fibras
nervosas e rico suprimento de fibras sensoriais para o mamilo e aréola e há uma forte associação entre lactação insuficiente e a presença de incisão periareolar, e que problemas durante a cirurgia ou no pós-operatório podem afetar a integridade dos ductos lactíferos assim como a sensibilidade do mamilo

O impacto do implante é inferior ao da cirurgia redutora porque o dano na estrutura glandular é menor ou inexistente.

Por isso é importante o conhecimento da mulher e a explicação adequada do médico cirurgião a respeito dos fatores que interferem na amamentação, como a técnica cirúrgica, o volume de implante e as possíveis complicações

A incapacidade de produção adequada de leite ainda é uma queixa frequente, identificada entre as mulheres que amamentam, sem, contudo, significar que a mulher realmente, tenha problemas na produção e a presença da cirurgia pode potencializar uma insegurança já existente.

A falta de preparo dos profissionais na assistência a mulheres com dificuldade para amamentar, em especial as submetidas a cirurgias mamárias também é prejudicial no sucesso da amamentação.

É possível que mais mulheres submetidas a cirurgias estéticas da mama tenham sucesso na amamentação se assistidas por profissionais capacitados, com conhecimentos das principais dificuldades na lactação dessas mulheres e habilidades no manejo dessas situações e encorajamento à mulher.

Fonte:

  1. Sales CM, Seixas SC. Causas de desmame precoce no Brasil. Cogitare Em Ferm. 2008; 13(3):443-7
  2. Andrade RA, Coca KP, Abrão AC²V. Padrão de aleitamento materno no primeiro mês de vida em mulheres submetidas a cirurgia de redução de mamas e implante. J Pediatr. 2010; 86(3):239-44.
  3. Souto GC, Giugliani ER, Giugliani C, Schneider MA. The impact of breast reduction surgery on breastfeeding performance. J Hum Lact. 2003; 19:43-9.
  4. Johansson AS, Wennborg H, Blomqvist L, Isacson D, Kylberg E. Breastfeeding after reduction mammaplasty and augmentation mammaplasty. Epidemiology. 2003;14:127-9.

 

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